Os termos que aparecem todo dia numa ótica — no balcão, na receita, na conversa
com o laboratório e na hora de olhar os números. Explicados do jeito que se fala na loja.
O que acontece no balcão
Os tipos de visita e o que cada um significa para a loja.
Atendimento
O registro de uma pessoa que entrou na loja e foi atendida, tenha comprado ou não. É diferente
de venda: toda venda é um atendimento, mas nem todo atendimento vira venda. Sem registrar o
atendimento, a loja só enxerga quem comprou — e fica sem saber quantas pessoas realmente entraram.
Venda fechada
O atendimento que terminou em compra. É o único tipo que o sistema de nota fiscal da ótica
registra, e por isso é o único que a maioria das lojas consegue contar.
Venda perdida
O atendimento em que a pessoa foi atendida e saiu sem comprar. É a informação que mais falta
nas óticas, porque não gera nota, não entra no caixa e some junto com a pessoa. Quem registra a
venda perdida consegue chamar essa pessoa de volta depois; quem não registra, não.
Motivo de perda
A razão pela qual a venda não fechou, marcada pelo vendedor no momento do atendimento. Os mais
comuns no varejo óptico brasileiro são: vai pesquisar, preço alto, vai falar
com o marido ou a esposa, não era o que procurava, não trouxe a receita,
vai fazer depois e não gostou do produto.
Serve para agir: se "preço alto" aparece em metade das perdas, o problema é a
política comercial. Se "não era o que procurava" domina, o problema é o mix da vitrine.
Limpeza
A visita em que o cliente vem só higienizar os óculos, geralmente em cuba de ultrassom. Não é
venda, mas é o cliente de volta dentro da loja — e por isso vale registrar: é oportunidade de
ajuste, de segundo par e de troca.
Ajuste
A visita para apertar parafuso, alinhar a armação, trocar plaqueta ou acertar o encaixe. Como a
limpeza, costuma ser gratuita e costuma não ser registrada em lugar nenhum.
Entrega
O momento em que o cliente busca o óculos pronto. É o contato em que a adaptação começa, e o
melhor momento para combinar o retorno de revisão.
Garantia
A visita em que o cliente volta por um problema coberto — lente riscada dentro do prazo,
armação com defeito, grau que não adaptou. Registrar separa o que é reclamação do que é venda nova.
Consignado
Quando a ótica deixa o cliente levar a armação para decidir em casa ou mostrar para alguém,
sem pagar na hora. É venda em aberto: precisa de retorno, senão a armação não volta e a venda não
acontece.
Reserva
Quando o cliente pede para a loja separar uma armação por alguns dias enquanto decide ou junta
o dinheiro. Tem prazo, e vencido o prazo a peça volta para a vitrine.
Teste de visão
Jeito de falar no balcão para a triagem rápida que indica se a pessoa está enxergando abaixo do
esperado e precisa procurar um oftalmologista. Não mede grau e não gera receita.
Coisa diferente é conferir o grau das lentes que o cliente já usa: isso a ótica faz
no lensômetro, e o aparelho é até exigido por lei no equipamento mínimo do estabelecimento. Medir a
lente é da ótica; medir a pessoa é do profissional habilitado.
Lista da vez
O rodízio que define qual vendedor atende o próximo cliente que entrar. Começou em prancheta no
balcão e hoje costuma ser digital. Evita a discussão sobre de quem é a vez e, quando registrada,
mostra quantos clientes cada vendedor realmente pegou — não quantos ele diz que pegou.
Origem do cliente
De onde veio a pessoa que entrou. Numa ótica de rua, as origens mais comuns são:
cliente que já comprou antes, passava na frente, abordagem na vitrine,
indicação, WhatsApp, Instagram e agendamento.
É o que permite responder se o anúncio trouxe gente ou se o movimento veio
da rua — e, sem isso, a conversa com a agência vira palpite contra palpite.
Os números da loja
O que cada indicador quer dizer, sem matemática complicada.
Taxa de conversão
De cada dez pessoas atendidas, quantas compraram. Se entraram 100 e 32 compraram, a conversão
foi de 32%. É o indicador que separa "o mês foi fraco porque entrou pouca gente" de "o mês foi
fraco porque a equipe não fechou" — e só existe para quem registra também quem não comprou.
Ticket médio
Quanto vale, em média, cada venda. Divide-se o faturamento pelo número de vendas. Numa ótica,
sobe quando o cliente leva lente melhor ou segundo par, e cai quando a loja compete por desconto.
Carteira de clientes
O conjunto de clientes atribuídos a um vendedor. Quando a carteira fica na cabeça (ou no
celular) do vendedor, ela vai embora com ele. Quando fica no sistema da loja, o histórico
permanece mesmo que a pessoa mude de loja ou saia da empresa.
Taxa de comparecimento
De quem marcou horário, quantos apareceram. A diferença é a falta — também
chamada de no-show no vocabulário de clínica. Importa quando a ótica paga um profissional
por diária: cadeira vazia é diária paga sem retorno.
Recompra
O cliente que volta a comprar depois da primeira vez. No varejo óptico o ciclo é longo — a
troca costuma acontecer entre um e dois anos —, o que torna o acompanhamento mais importante do
que em outros ramos: sem alguém lembrar, ninguém volta sozinho.
Prospecção
Ir atrás do cliente em vez de esperar que ele apareça. Na ótica, costuma ser trabalho sobre a
própria base: acordar quem comprou há tempo, quem está com a receita vencendo ou quem fez teste de
visão e não voltou.
Previsão de fechamento
A estimativa de quanto a loja fecha o mês se mantiver o ritmo até ali. Serve para agir no dia
15, enquanto ainda dá para mudar o resultado — e não no dia 30, quando só resta explicar.
A receita e o grau
O que está escrito no papel que o cliente traz.
Receita
O documento com a prescrição do grau, emitido por profissional habilitado. É a base de tudo que
vem depois: sem receita, a ótica não monta lente com grau.
Não existe prazo de validade fixado em lei no Brasil. O costume do setor — e a
recomendação de acompanhamento — é refazer o exame a cada ano, com mais frequência em criança. Para
a loja, é esse ciclo que indica quem está na hora de rever o grau.
Grau (dioptria)
A medida da correção que o olho precisa, em dioptrias. Aparece na receita em números positivos
ou negativos, e muda com o tempo — por isso o óculos de três anos atrás raramente ainda serve.
Esférico, cilíndrico e eixo
Os três campos principais da receita. O esférico corrige miopia ou
hipermetropia; o cilíndrico corrige astigmatismo; o eixo indica
em que ângulo essa correção precisa ficar na lente.
Adição
O grau extra para enxergar de perto, que aparece na receita a partir de certa idade. É a
presença da adição que indica lente multifocal ou um segundo par para leitura.
DNP (distância naso-pupilar)
A distância do centro do nariz até o centro da pupila, medida separadamente para cada olho — por
isso são duas DNPs, e elas quase nunca são iguais, porque o rosto é assimétrico. Define onde o centro
óptico da lente fica na armação. Errar a DNP faz o cliente sentir desconforto mesmo com o grau certo.
Não confundir com DP (distância pupilar), que é de pupila a pupila: a DP é a soma das
duas DNPs. Usar metade da DP para cada lado desloca o centro óptico em quem tem o nariz fora do eixo —
e em multifocal ou grau alto isso aparece.
Altura
A medida vertical, do centro da pupila até a parte de baixo do aro, com a armação já ajustada no
rosto. Em multifocal é determinante: é ela que posiciona cada campo de visão na altura certa do
olhar, e dois milímetros de erro já jogam a zona de perto para fora do olhar natural de leitura.
Miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia
Miopia é enxergar mal de longe. Hipermetropia é o olho mais
curto que o normal, que precisa forçar para focar: a dificuldade aparece primeiro de perto e, em
graus mais altos, também de longe. Astigmatismo é a visão distorcida ou embaçada em
qualquer distância, causada pela curvatura irregular da córnea — e, menos comum, do cristalino.
Presbiopia é a perda natural do foco de perto com a idade, a chamada vista cansada,
que costuma aparecer depois dos 40. Não é doença: é o envelhecimento normal do cristalino.
Ordem de serviço do laboratório
O pedido que a ótica envia ao laboratório com a receita, as medidas e a lente escolhida. A lente
é surfaçada — usinada até a curvatura que o grau exige — quando é feita sob medida, ou apenas cortada
e biselada quando sai de uma lente pronta de estoque; depois vem a montagem na armação. É o documento
que acompanha o trabalho até a entrega.
As lentes e os tratamentos
O que muda de uma lente para a outra, na prática.
Monofocal (visão simples)
A lente com um único grau em toda a superfície. Corrige uma distância só: longe ou perto.
Multifocal (progressiva)
A lente que reúne longe, intermediário e perto na mesma superfície, com o grau mudando de
forma contínua, sem linha visível. Indicada para quem tem adição na receita. Exige medidas precisas
de DNP e altura, e tem um período de adaptação.
No comércio, "multifocal" e "progressiva" são usados como sinônimos. Tecnicamente,
multifocal é o grupo maior — inclui as bifocais e trifocais, que têm linha visível —, e progressiva
é a multifocal sem linha nenhuma.
Antirreflexo
O tratamento que reduz o reflexo da luz nas superfícies da lente. Reduz o ofuscamento e os halos
ao dirigir à noite, tira o brilho que aparece nas fotos e deixa os olhos do cliente visíveis em vez de
dois espelhos. É o tratamento mais fácil de demonstrar ao vivo, porque a diferença se vê na hora.
Filtro de luz azul
O tratamento que reduz a parcela de luz azul-violeta que chega aos olhos, vinda de telas e de
iluminação LED. Procurado por quem passa o dia no computador ou no celular.
Lente fotossensível
A lente que escurece no sol e clareia no ambiente interno, reagindo à luz ultravioleta.
Dispensa carregar dois óculos. Costuma reagir menos dentro do carro, porque o para-brisa já filtra
boa parte do UV — e existem versões que reagem também à luz visível, justamente para escurecer ao
volante.
Lente polarizada
A lente que corta a luz refletida em superfícies horizontais — o brilho do asfalto, da água e do
capô do carro. Diferente do antirreflexo: a polarização atua sobre a luz refletida do ambiente; o
antirreflexo, sobre o reflexo na própria lente.
Índice de refração (espessura)
O número que indica o quanto a lente consegue ser fina para o mesmo grau. Quanto mais alto o
índice, mais fina a lente fica — é o que evita o efeito de "fundo de garrafa" em graus mais altos.
Mais fina não quer dizer automaticamente mais leve: o material de índice alto é
mais denso. Em grau baixo ou médio, uma lente de policarbonato pode pesar menos que uma de alto
índice. O ganho de peso aparece mesmo nos graus altos, onde a redução de espessura é grande.
Lente asférica
A lente com curvatura diferente da esférica tradicional, mais plana nas bordas. Fica mais fina,
distorce menos a imagem na periferia e reduz o efeito de aumento ou diminuição dos olhos de quem
olha para o rosto do cliente.
Controle de miopia
Lentes desenhadas para desacelerar a progressão da miopia, indicadas pelo oftalmologista e usadas
principalmente em crianças e adolescentes, cujo grau ainda está mudando.
Antirrisco, antimancha e antiestática
Tratamentos de superfície. O antirrisco endurece a camada externa;
o antimancha repele água e gordura, fazendo escorrer em vez de aderir — são duas
propriedades distintas, a hidrofóbica para a água e a oleofóbica para a gordura e a marca de dedo;
o antiestático reduz a atração de poeira. Costumam vir juntos nos pacotes
melhores, e são o que faz a lente continuar boa depois de um ano de uso.
Anamnese
A conversa guiada em que o vendedor pergunta como o cliente usa os olhos no dia a dia — se
dirige à noite, quantas horas passa na tela, se trabalha ao ar livre — para indicar a lente certa
para aquela rotina. É o que troca a venda por preço pela venda por necessidade.
Esses termos não são só vocabulário — são o que a sua loja deixa de medir
O AppOk é o CRM feito só para óticas. Registra cada visita ao balcão, inclusive de quem saiu
sem comprar, guarda o motivo da perda e chama o cliente de volta pelo WhatsApp. Funciona ao lado
do sistema que a sua ótica já usa para faturar.